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Com a romanização do noroeste peninsular (extensiva à Citânia de Santa Luzia), assistiu-se ao povoamento progressivo, mas disperso, das margens e da foz do Lima. Pelos séculos IX e X pontificavam quatro “villas” na base do monte sobranceiro a Viana: Vinha (pelo poente, na actual freguesia de Areosa); Figueiredo (a mais ocidental da Viana actual, correspondendo em grande parte à freguesia de Monserrate, às portas de Areosa); Foz, depois (século XIII) com o topónimo de Adro ou Átrio (área central do chão de Viana, a sul do monte de Santa Luzia); Crasto (parte oriental, que corresponde hoje à Bandeira e Abelheira, contactando com o monte, o rio Lima e a freguesia de Meadela).
A freguesia actual de Santa Maria Maior corresponde, grosso modo, às antigas “villas agro-piscatórias” de Adro e Crasto. Está delimitada de Monserrate, no sentido norte-sul, pela Rua dos Rubins e Travessa do Salgueiro, incluindo, para norte, a Estância de Santa Luzia, e, para sul, a moderna Avenida dos Combatentes, assim como a velha Praça da República (o centro cívico, antigo Campo do Forno, depois Praça da Rainha), o núcleo antigo medieval (vila municipal com foral de 18 de Junho de 1258 outorgado por D. Afonso III, após a instituição da Paróquia de S. Salvador do Adro), arruamentos quinhentistas e seiscentistas da expansão extra-muros (Bandeira, Cândido dos Reis, Mateus Barbosa, Gago Coutinho, etc.), que hoje definem quase toda a “Baixa vianense”.
É riquíssimo o património com valor histórico-artístico nesta freguesia. Desde a Citânia de Santa Luzia (no mínimo do século III d.C., com vestígios de romanização desde o século I a.C.) e templo-monumento de Santa Luzia (ao Sagrado Coração de Jesus, projecto do arquitecto Ventura Terra, finais do século XIX), ao burgo medieval amuralhado (D. Afonso III e posterior cintura de muralhas fernandinas), em cujo núcleo despontam lavores de granito ao gosto do gótico, da arte do manuelino, do renascimento e até do Rócócó e da proto-modernista Art Deco.
Saliente-se, no núcleo medieval, a Sé (igreja matriz de raíz gótica, século XV e acrescentos manuelinos em pleno século XVI), a Casa dos Arcos (de João Velho, gótica, junto da Sé), o Hospital Velho de S. Salvador, a Casa dos Luna (manuelina e renascentista, no gaveto da Rua do Poço e Largo da Matriz), a Casa da Janela Manuelina (dos Costa Barros, na Rua de S. Pedro), a Casa dos Nichos (Rua de Viana, com representações góticas alusivas à Anunciação da Virgem), etc., da expansão urbana “extra-muros”, graças à remodelação do sistema defensivo das muralhas (ainda se admira pequeno pano na caleira dos antigos Paços do Concelho) com implantação de fortim manuelino na foz do Lima, que possibilitou o incremento do comércio marítimo e fluvial (trato do açúcar brasileiro — século XVII e XVIII, ciclo dos vinhos, etc. e riqueza aurífera do Brasil), Viana cresce e monumentaliza-se. Nesta freguesia ressalta o novo centro cívico (Praça) com o seu tríptico monumental: chafariz quinhentista, Casa das Varandas (da Santa Casa da Misericórdia) em estilo maneirista e Antigos Paços do Concelho (gótico tardio).
Constroem-se inúmeros palácios e palacetes manuelinos (Condes da Carreira, Sá Soutomayor— Praça, Melo Alvim, etc.); barrocos (Pimenta da Gama, Soutomayor— Bandeira, etc.) e ainda templos e palacetes da segunda metade de Setecentos, de grande interesse artístico (Família Malheiro Reymão— estilo Rócócó), etc. O antigo Convento de Santo António dos Capuchos e o das Carmelitas Descalças (N. Sra. de Fátima) são exemplos vivos das artes seiscentista e setecentista. Antes, os conventos de S. Bento e de Santa Ana (hoje, Caridade), haviam sido edificados, preservando ainda apontamentos gótico-manuelinos (das primitivas igrejas).
Na talha, no estuque, na azulejaria, nas pedras lavradas e em novos materiais, Santa Maria Maior é um museu desde a pré-nacionalidade aos exemplares da primeira metade do século XX com um toque Arte Nova e Arte Deco já modernista. |
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